Vamos vivendo... juntando os anos, mês, dias, horas, minutos e
os segundos a grande estante de memórias... Quanto mais velhos
ficamos, mais ficamos nos relembrando dos bons momentos, das
aventuras e dos momentos de emoção.
Toca uma música e lá vem uma enxurrada de memórias. Você lembra
de um livro, um quarto de hotel e algum tempo remoto da sua vida
e quando calcula o tempo, já se passaram mais de 15 anos...
Vuchhh... o tempo voou...
A vida é feita de pequenos momentos gravados em nossa memória.
Precisamos deles para acreditar que a nossa vida teve um certo
valor e ainda o terá. Precisamos acreditar e até confirmar que
realmente existimos e a nossa memória deve existir para isso.
Também a nossa memória que nos faz aprender ou pelo menos
relembrar nossas pisadas de bola, aquelas que NÃO gostaríamos de
lembrar, somente gostaríamos de esquecer, mas a memória também
está ai para isso... para nos lembrar e sempre relembrar que NÃO
devemos mais fazer novamente.
São momentos gostosos e emocionantes que sempre procuro
colecionar. O resto está lá também, mas NÃO fico relembrando de
todos os momentos ruins. A vida tem que ser gostosa de viver e
para que vou ficar lembrando de fatos ruins? O chato é que tem
gente que faz isso, acho que devem até ter o prazer se
auto-torturar, lembrando de uma certa traição, sacanagem ou
qualquer coisa que não vale a pena lembrar, mas essas pessoas
amargas vivem assim. Eu comparo como, aquela pessoa que tem um
sapato apertado, mas não larga dele ou ainda, coloca alguma
pedra para aumentar a dor.
Minhas memórias estão lá, prontas para serem recuperadas... ou
quase prontas, porque algumas eu procuro lembrar e NÃO lembro
mesmo, mesmo quando pessoas dizem que fiz, falei ou vivenciei
algumas partes. Lembro de algumas coisas um tanto embasadas, mas
nada que isso.
Infelizmente gostaríamos que a realidade do filme Paycheck fosse
verdade, onde um cara muito bom em engenharia reversa, é
contratado para fazer grandes coisas e depois apagam a memória
dele junto com o pagamento. O cara NÃO lembra de nada mesmo.
Quem é que não tem memórias que gostaria de deletar? Algum
momento ruim ou ainda um bom pedaço da nossa vida?
Somos o resultado de nossas memórias Nossas atitudes do
hoje, são resultado do que vivemos e concluímos a cada momento.
Todas as conclusões são acrescentadas no grande banco de dados
de nossas ações futuras, onde procuraremos de forma consciente
ou não para continuar vivendo.
Tenho memórias e a todo momento estou relembrando. Não que eu
queira sempre, penso que deve ser a minha capacidade de observar
os detalhes e com isso fazer comparações. Basta ouvir um som, um
cheiro e pronto, já tenho muitas memórias vinculadas e com isso,
mais conclusões também.
Vivo com elas... e você? Não sou uma pessoa para dizer
que tive uma vida excitante ao ponto de querer escrever um livro
com minhas memórias. Não mesmo, mas eu vivo com todas elas. Me
orgulho da vida que eu tive até agora e sei que continuarei
orgulhando do que eu faço, vivo e procuro ser.
A cada novo passo de minha vida, estou sempre relembrando e as
vezes inconscientemente procurando referências nas minhas
memórias. Não faço comparações, mas elas sempre aparecem de
forma automática e instantânea. Estou indo ao um encontro de
negócios... Bum... sou afogado em memórias de encontros de
negócios parecidos com o que estou para ter.
Procuro viver com essa forma de relembrar e penso que todas as
tem a sua também. O relembrar pode também trazer um certo grau
de Dor, tristeza, quando nos lembramos de fatos ruins no
passado, como relacionamentos passados, negócios errados,
acidentes etc. Não podemos nos deixar tomar pelo pavor e deixar
de viver. Nenhum dia é igual ao outro, todos são diferentes e
mesmo que seja parecido, podemos mudar o resultado final. SEMPRE
poderemos.
Minhas últimas memórias Relembrei de momentos de quando
eu morava em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais,
quando eu sentava na padaria perto da minha casa com algumas
folhas de papel e ficava escrevendo.
Agora está tocando o New Order, que me lembrou de vários
momentos onde eu ia com meus amigos para uma discoteca em Pouso
Alegre. Ficamos dançando, bebendo e rindo muito.
Agora pouco estava ouvindo Auto Ban do Kraftwerk, que me lembrou
quando eu morava em um hotel em Goiânia e estava lendo um dos
livros de Duna.
O primeiro beijo quando eu tinha 12 anos, meus lábios ainda
formigam só em lembrar a emoção, e com essa memória me lembro de
outros e até o primeiro meio que roubado e desejado com a Ana
Eliza na Praia.
Para finalizar a avalanche de memórias, me lembro da emoção do
e-mail recebido da minha amiga Vividilly em Janeiro de 2002 e o dia do
nascimento do meu filho Gabriel, bem como quando estava dando
mamadeira para ele, quando ele cabia no sobre o meu ante-braço e
ficava me olhando.
Cara memória que eu lembro me faz sentir mais forte e bem
vivido. Cada boa memória me dá a certeza que tudo foi válido e
que vale continuar firme e forte para o desconhecido futuro.
Pode ser um sorriso, o soprar do vento, o cheiro do papel do
livro ou mesmo o som da chuva caindo. São elas que me fazem ser
o que sou, por isso NÃO posso viver ou até querer viver sem
elas.
About Author :
Analista de Sistemas, especialista de projetos para Internet
desde 1993, projetista e mantenedor de diversos sites no Brasil,
como os sites da FAMEM e Porto do Itaqui.